Localizada no Maranhão, a Reserva Extrativista (Resex) de Tauá-Mirim abriga 12 comunidades tradicionais — Taim, Rio dos Cachorros, Limoeiro, Porto Grande, Cajueiro, Vila Maranhão, Portinho, Jacamim, Amapá, Embaubal, Ilha Pequena e Tauá-Mirim — que mantêm modos de vida baseados na agricultura familiar, na pesca artesanal, no extrativismo vegetal e na coleta de caranguejo nos manguezais.

Após mais de duas décadas de tramitação, o processo de criação da unidade de conservação entrou, em 2026, em sua fase final, intensificando o debate entre comunidades tradicionais, governo federal, empresários e parlamentares maranhenses.

De um lado, moradores defendem a criação da Resex como forma de proteger os manguezais e garantir a permanência de cerca de 1.150 famílias que vivem na região. Do outro, representantes do setor produtivo e parte da bancada federal do Maranhão argumentam que a medida pode restringir a expansão do Complexo Portuário do Itaqui.

Como parte do processo de criação da reserva, uma consulta pública foi realizada em 17 de abril de 2026, na Universidade Federal do Maranhão (UFMA).

A controvérsia em torno da Resex também se tornou tema da Oficina de Comunicação Popular, realizada em março de 2026. Durante uma semana de formação, jovens comunicadores aprenderam técnicas de apuração, entrevista e produção audiovisual e produziram um minidocumentário.

“Foi ali que ganhamos a base necessária para ir a campo com mais segurança e propósito”, conta o comunicador Thiago Santos. “Fazer parte da construção de um minidocumentário em uma das áreas da Resex Tauá-Mirim foi simplesmente incrível. Poder contribuir para essa luta me fez acreditar que, quando nos unimos, podemos comunicar e transformar.”

Segundo Thiago, o grupo era formado por dois moradores da região, cuja experiência tornou a cobertura mais sensível e fiel à realidade local.

“Visitamos a comunidade Rio dos Cachorros, onde registramos imagens e ouvimos histórias da mãe e da avó de um dos moradores, além do relato de um agricultor. Em uma conversa breve, foi possível sentir a dor de quem convive diariamente com empresas que despejam resíduos próximos às suas terras.”

Após as gravações, a equipe permaneceu na comunidade para aprofundar as conversas e compreender melhor o contexto local. O material coletado deu origem a um minidocumentário que buscou traduzir, em imagens e sons, as histórias e os desafios enfrentados pelos moradores, contribuindo para ampliar a visibilidade do debate sobre a criação da Resex Tauá-Mirim.

A iniciativa que alia formação em jornalismo e comunicação comunitária é uma parceria entre a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (ABRAJI), a Justiça nos Trilhos (JNT), o Laboratório Experimental de Jornalismo (Laborejo) e o Instituto para Democracia Mídia e Intercâmbio Cultural (IDEM) para formar jornalistas e ampliar a visibilidade das pautas socioambientais no Maranhão.