Mulheres indígenas do Médio Xingu intensificam protestos contra o avanço do maior projeto de mineração de ouro a céu aberto do país. Em meio a bloqueios, ocupações e pressão sobre autoridades, elas alertam para riscos ambientais e exigem a suspensão imediata da licença concedida à empresa canadense Belo Sun.
Mulheres indígenas do Médio Xingu protestam contra a licença de instalação concedida à mineradora Belo Sun para o Projeto Volta Grande, que prevê a exploração de ouro a céu aberto às margens do rio Xingu.
Durante reunião com representantes do Ministério dos Povos Indígenas (MPI) e da Funai, o grupo estabeleceu prazo até quarta-feira (25) para a realização de um encontro com a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará (Semas), responsável pelo licenciamento, e com o Ministério Público Federal (MPF).
A mobilização integra um movimento mais amplo iniciado em 23 de fevereiro, quando mais de 100 indígenas — das etnias Juruna, Xikrin, Xipaya, Curuaya e Arara — passaram a ocupar a sede regional da Funai, em Altamira. Segundo as lideranças, a ação busca pressionar autoridades a reverem o avanço do projeto.
Na segunda-feira (16/03), mulheres indígenas bloquearam o acesso ao Aeroporto Interestadual de Altamira, intensificando os protestos contra o empreendimento na região da Volta Grande do Xingu. A mobilização, liderada pelo Movimento das Mulheres Indígenas do Médio Xingu, expressa preocupação com possíveis impactos ambientais, sobretudo a contaminação do rio, e cobra a suspensão imediata das atividades da mineradora.
Mulheres indígenas do Médio Xingu protestam contra a licença de instalação concedida à mineradora Belo Sun para o Projeto Volta Grande. Foto: Movimento das Mulheres Indígenas do Médio Xingu.
Chamado Volta Grande de Ouro, o projeto prevê a instalação da maior mina de ouro a céu aberto do Brasil, no município de Senador José Porfírio. A iniciativa é alvo de questionamentos do Ministério Público Federal, que recorreu à Justiça, em fevereiro de 2026, pedindo a suspensão da licença de instalação. O órgão argumenta que a autorização foi concedida com base em estudos incompletos e sem o cumprimento integral de condicionantes voltadas à proteção das comunidades afetadas.
As lideranças indígenas afirmam que a região já sofre os impactos da usina hidrelétrica de Belo Monte, que alterou o fluxo do rio Xingu, afetando a navegabilidade e reduzindo a oferta de peixes. Para elas, a chegada de uma mineradora de grande porte pode agravar o cenário, com riscos de contaminação da água, do solo e da fauna, além de ampliar a pressão sobre os territórios indígenas.
Resistência Popular: mulheres indígenas seguem lutando contra a instalação do Projeto Volta Grande. Foto: Movimento das Mulheres Indígenas do Médio Xingu.
A Belo Sun, por sua vez, sustenta que o projeto possui licença válida e que cumpriu todas as exigências legais, incluindo a realização de consulta prévia às comunidades, conforme a Convenção 169 da OIT. A empresa afirma ainda que o empreendimento está em fase de instalação e não prevê captação de água do rio Xingu.
Enquanto isso, as mulheres indígenas dizem que manterão os protestos e a ocupação da Funai até que suas reivindicações sejam atendidas.
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