Rionegrinas: Documentário premiado mostra resistência das mulheres indígenas do Rio Negro
O documentário Rionegrinas, que chega ao público através de uma exibição online, trata-se de muito mais do que um filme; constitui um grito de resistência e um tributo à força, à luta e à determinação dessas mulheres indígenas do Rio Negro nesses 20 anos de luta E criação do Departamento de Mulheres Indígenas do Rio Negro (DMIRN/FOIRN)..
O documentário Rionegrinas – que chega ao público através de uma poderosa exibição online – é muito mais do que um filme. Constitui um grito de resistência e um tributo à força, à luta e à determinação dessas mulheres indígenas do Rio Negro em 20 anos de luta que marcam a criação do Departamento de Mulheres Indígenas do Rio Negro (DMIRN/FOIRN).
Lançado em 2023 e premiado em festivais de cinema em 2024, o filme narra a história da mobilização das mulheres dentro do movimento indígena coloca em evidência uma das lutas mais invisibilizadas da história: a de mulheres que, em seus territórios, enfrentam desafios profundos para garantir a preservação de suas culturas, direitos e, acima de tudo, a equidade de gênero. Esta não é uma narrativa trivial, mas sim uma construção de identidade, memória e futuro.
A luta silenciosa das mulheres indígenas
Rionegrinas documenta a história da mobilização feminina dentro do movimento indígena do Alto Rio Negro, onde 23 povos compartilham desafios, sonhos e realidades cotidianas. Através do olhar de mulheres que se ergueram contra as adversidades e deram passos importantes em direção à autonomia, o filme revela os bastidores da construção do Departamento das Mulheres Indígenas do Rio Negro (DMIRN), criado em 2002. Esse departamento, que celebra 20 anos de história, tornou-se um símbolo de resistência e de luta por um futuro mais justo para as mulheres indígenas.
O filme mostra, com intensidade e sensibilidade, como o movimento foi forjado a partir da escassez de recursos e da ausência de espaços apropriados, como lembra Cecília Albuquerque, do povo Piratapuia, primeira coordenadora do DMIRN: “Me deram uma salinha bem pequenininha. Mal cabiam a mim, uma mesa e uma cadeira. O que eu vou fazer só com essa mesa e a cadeira?”. A partir dessas dificuldades, nasceu uma revolução silenciosa e transformadora que atravessou gerações e inspirou as mulheres de hoje a continuar lutando por seu espaço e reconhecimento.
Mulheres do Departamento de mulheres indígenas do Rio Negro (DMIRN/ FOIRN) em frente a Maloca da Foirn em São Gabriel da cachoeira 📷 DMIRN
O empoderamento feminino no contexto indígena
O filme não se limita a exibir as dificuldades, mas traz à tona a luta por espaço, território, e direitos fundamentais. Mulheres como Cleocimara Reis Gomes, coordenadora atual do DMIRN, e Edineia Teles, do povo Arapasso, compartilham suas trajetórias, suas memórias e seus desafios. Elas são a voz de todas as mulheres que, silenciosamente, resistem e se fortalecem. Para Cleocimara, assistir à história de sua própria luta no documentário é uma maneira de celebrar os avanços conquistados, mas também de refletir sobre os caminhos ainda a percorrer.
“É emocionante ver porque o departamento foi criado, como foi na época, como era o espaço pequeno que elas ganharam. E refletimos que hoje estamos conseguindo ampliar nossos espaços, fisicamente e nas lutas de reivindicação”, disse Cleocimara. Rionegrinas não é apenas um reflexo do passado, mas um potente símbolo de mobilização para as futuras gerações de mulheres indígenas.
A importância do empoderamento feminino, mostrado no filme, está diretamente ligada à transformação do papel das mulheres dentro de suas comunidades. Elas não são mais apenas guardiãs das tradições, mas se tornaram líderes políticas, acadêmicas e ativistas sociais. Desde as roças até as universidades, desde a casa-território até os cargos públicos, as mulheres do Rio Negro estão reescrevendo suas histórias, ampliando os espaços conquistados e influenciando o futuro de seus povos.
Joaquina dos Santos do povo Dessana em momento de fala 📷 Foirn
Documentário como ferramenta de transformação
Ao ser exibido em festivais de cinema ao redor do Brasil e agora disponível online, Rionegrinas vai além da tela e se transforma em uma ferramenta de transformação social. A direção e roteiro de Fernanda Ligabue e Juliana Radler, juntamente com a colaboração de importantes lideranças indígenas, possibilitaram que as vozes das mulheres do Rio Negro alcançassem um público ainda mais amplo. O prêmio de “Melhor Filme Povos Originários” no Ecocine 2024 é uma prova do impacto que esse documentário tem no cenário cultural e político contemporâneo.
Por meio de depoimentos íntimos e poderosos, o filme não apenas exibe a resistência das mulheres indígenas, mas também as insere como protagonistas da construção de um futuro mais equitativo. As mulheres do Rio Negro não estão pedindo permissão para existir; elas estão, de maneira audaciosa, reafirmando seu lugar e seu direito à terra, ao conhecimento, ao respeito e à sustentabilidade.
Mulheres do Departamento de mulheres indígenas do Rio Negro (DMIRN/ FOIRN) em frente a Maloca da Foirn em São Gabriel da cachoeira 📷 DMIRN
Legado de Rionegrinas e o caminho a seguir
O lançamento do documentário também coincide com outras ações significativas, como o lançamento do livro As Mães do DMIRN – Conquistas e Desafios e o fortalecimento do site do DMIRN. Estas iniciativas são parte de um movimento contínuo que visa não apenas resgatar a memória, mas criar legados duradouros para futuras gerações.
O empoderamento das mulheres indígenas do Rio Negro não é um evento isolado, mas um processo em constante evolução. O Rionegrinas representa mais do que uma história de resistência: ele é um farol para mulheres indígenas e não indígenas, uma lembrança de que as histórias de luta, as memórias de nossas ancestrais e as conquistas contemporâneas devem ser constantemente celebradas e perpetuadas. O filme deixa claro que não podemos deixar ninguém de fora. As mulheres do Rio Negro têm algo vital a ensinar: um movimento por justiça, equidade e autonomia que transcende as fronteiras de sua terra e ecoa pelo país.
Ao assistir a Rionegrinas, somos convidados a refletir sobre a importância do empoderamento, do reconhecimento e da ação conjunta para transformar as realidades daqueles que, ao longo da história, foram marginalizados. A trajetória das mulheres do Rio Negro é um testamento de coragem, resistência e, principalmente, de esperança.
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