Reportagem especial

"A luta é grande, mermã"

A vida de Dona Maria Querobina da Silva Neta , 80 anos mostra que, entre o som do coco quebrado e a memória da floresta, pulsa a história das quebradeiras de coco — um movimento da mulheres que resiste há gerações.

💪 Muito além do sustento A história de Dona Querobina é também a de mais de 300 mil quebradeiras de coco dos estados do Maranhão, Pará, Piauí e Tocantins. O babaçu garante renda, fortalece a cultura e representa resistência diante das cercas, queimadas e da perda de território.

🌿  O babaçu cobre cerca de 196 mil km², especialmente na região da Mata dos Cocais, e sua presença não é apenas econômica, mas identitária. As quebradeiras se autodefinem como "donas de suas vidas", sustentando famílias e comunidades a partir do trabalho coletivo. Nos depoimentos coletados pelas pesquisadoras em Imperatriz, a expressão "a luta é grande, mermã" aparece como lema cotidiano.

🌿 Identidade  Na beira do quintal, ainda criança, Querobina aprendeu com a mãe a transformar o fruto em sabão, bolo e óleo. "Eu não virei quebradeira de coco. Eu sempre quebrei coco", recorda. O gesto repetido de abrir o fruto, passado de geração em geração, é mais que trabalho: é rito de pertencimento.

⚖️ A luta virou conquista Dona Querobina foi uma das lideranças na defesa do Babaçu Livre. Em 1997, Lago do Junco (MA) aprovou a primeira Lei do Babaçu Livre, garantindo às quebradeiras o direito de acessar os babaçuais, mesmo em áreas privadas.

Um patrimônio do Brasil Em 2026, o ofício das quebradeiras de coco babaçu foi reconhecido como manifestação da cultura nacional. Mais do que um trabalho, quebrar coco é preservar a floresta, fortalecer comunidades e manter viva uma história de resistência que atravessa gerações.